29set

Novo relatório da Comissão traça roteiro europeu de resiliência a catástrofes

O relatório Strengthening the European Union's Future Disaster Resilience analisa como a UE pode preparar-se melhor para catástrofes num contexto em que riscos climáticos, ameaças de segurança e fragilidades estruturais se combinam de formas que ultrapassam os sistemas de preparação atuais.

O estudo identifica 12 capacidades prioritárias, entre as quais deteção e alerta precoce, resiliência cibernética, cooperação transfronteiriça, continuidade de serviços essenciais e capacitação dos cidadãos. Identifica também 12 tecnologias emergentes com maior potencial, como sistemas avançados de sensorização, ferramentas autónomas assistidas por inteligência artificial, mapeamento 3D e gémeos digitais urbanos.

Garantir a continuidade dos serviços essenciais surge como a prioridade máxima identificada, com os participantes no estudo a sublinhar a importância de agir antes de as catástrofes ocorrerem, através da antecipação, prevenção, proteção e preparação. O relatório defende que as decisões de investimento devem centrar-se em capacidades, e não em tecnologias ou riscos isolados, considerando a tecnologia um facilitador e não uma solução por si só.

O relatório surge poucos dias depois de Ursula von der Leyen ter destacado, no discurso sobre o Estado da União, o défice de cobertura de catástrofes na Europa, assinalando que apenas cerca de 25% das perdas estão seguradas por seguros privados. Na mesma ocasião, a Comissão anunciou a criação de uma aliança europeia de seguros climáticos, reunindo o setor segurador, autoridades públicas e outras partes interessadas.

Embora o relatório do JRC não aborde diretamente os mecanismos de financiamento, as suas conclusões colocam também em evidência a necessidade de mobilizar investimento para reforçar a prevenção, a preparação e a resiliência da Europa face a catástrofes.

Neste contexto, a capacidade do setor segurador para realizar investimentos de longo prazo, associada ao seu papel na gestão e cobertura de riscos, pode contribuir para uma abordagem mais abrangente à resiliência, que combine prevenção, redução do risco, proteção financeira e investimento. Esta dimensão está também alinhada com os objetivos da Comissão Europeia no âmbito da Savings and Investments Union (SIU), que procura canalizar uma maior parcela da poupança europeia para investimentos produtivos e estratégicos.

O relatório completo encontra-se disponível aqui.

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