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newsletter digital|09 abril 2018
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SEGURADORES
 
    
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ARTIGO DE OPINIÃO: POR OS NÚMEROS NO CENTRO DA COMPANHIA

Por Filipe Charters de Azevedo

CEO da Data XL. Ao longo do seu percurso profissional tem sido responsável pela utilização de técnicas estatísticas robustas em aplicações de negócio: elasticidade, tarifas, modelos de risco, etc.


Tenho a certeza que as seguradoras sabem que têm de ser mais do que uma commodity: o desafio está em como o ser... Os dados, a estatística, a análise, que sempre foram as pedras angulares das companhias de seguros estão a sofrer uma revolução e podem contribuir em muito para um novo posicionamento.

De facto, até ao fim do século passado, os custos da atividade seguradora eram previsíveis. Podiam nem sempre ser favoráveis... mas o ambiente era estável, os concorrentes conhecidos, as taxas de juro e de câmbio seguiam um padrão que poderia ser facilmente estimado e o comportamento dos clientes era previsível. Esta estabilidade teve um custo... empurrou as companhias para políticas de marketing estratégico conservadoras.

Um exemplo visível reside na área de pricing. Antigamente, o preço de um produto não-vida era relativamente fácil de fazer. Basicamente bastava pegar-se em todos os custos (conhecidos ou estimados) e colocar uma margem por cima. Esta forma de pricing baseada nos custos, era também indicativa dos valores de mercado: conhecendo os movimentos de todos os players...  era fácil cobrar o valor que se gerava. Mas hoje, com tamanha discrepância em níveis de serviço e sobretudo com políticas de promoção aguerridas, há espaço para uma eficaz diferenciação de preço. Mas como o fazer?

Outro exemplo pode ser visto na segmentação de clientes. Os seguros sempre trabalharam com segmentos de risco; mas não faz sentido trabalharmos hoje com segmentos de propensão à compra? Com indicadores estáveis de Life Time Value?

E, finalmente, nas áreas de reservas... Os triângulos são instrumentos poderosos de controlo da atividade técnica de uma seguradora. Mas revelam estes todos os desafios do risco de subscrição?

Para conseguir criar valor e diferenciar-se aos olhos do mercado, as seguradoras devem assim aproveitar a revolução de dados que estamos a viver. Não apenas para desenhar novos processos baseados em Big Data, Inteligência Artificial, blockchain, mas sobretudo para alterar mentalidade, de desenhar uma nova cultura: de que as seguradoras existem e sempre existiram para criar valor aos seus clientes, e que se o mundo muda depressa, há novas ferramentas para acompanhar esta viagem.

A APS lançou-me o desafio de renovar os cursos de estatística e de modelos de pricing de seguros com esta nova visão. Com agrado respondo a esta tarefa. Como habitualmente estas ações serão assentes em case studies ajustados à realidade nacional. E sobretudo dando uma forte ligação entre a análise e o mundo real. A sensação que os formandos transmitem (de outras ofertas) é que muitas estão a ver um filme em que gostariam de participar: veem os dados, mas não os tocam. Por isso, a metodologia que vamos usar assenta na ideia de que esta deve ser dada de profissionais para profissionais, com os detalhes que só quem trabalha na área diariamente conhece. Gostava de vos ver aqui.


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