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#118
newsletter digital|10 julho 2017
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SEGURADORES
 
    
  Ciclo de Entrevistas APS

TEMA: LITERACIA FINANCEIRA NO SETOR SEGURADOR

Em foco, nesta edição, a literacia financeira, tema estratégico para o setor segurador e uma área de aposta permanente no plano de iniciativas da APS. Conheça alguns pontos de vista.


ISABEL ALÇADA E ANA MARIA MAGALHÃES
AUTORAS DOS LIVROS DA COLEÇÃO SEGUROS E CIDADANIA DA APS

A nossa parceria com a APS tem sido extremamente positiva. Pudemos aprofundar estes assuntos, refletir sobre o valor social do seguro, recolher informação sobre a atividade seguradora. 


O que pode ser feito para dinamizar a literacia financeira nas escolas? Quem devem ser os agentes de mudança que poderão contribuir para a aquisição de conhecimentos de Literacia Financeira no setor segurador?

A promoção da literacia financeira, tal como toda a aprendizagem escolar, cabe aos professores. No sistema educativo atual pode ser incluída sobretudo nas atividades da Área da Cidadania em escolas que optem por desenvolver projetos com esta incidência.

Se os professores assim o entenderem pode também ser abordada em disciplinas como o Português e a Matemática. Nas aulas de Português, lendo por exemplo textos ou livros sobre as temáticas relacionadas com o assunto e acompanhando a leitura com diálogos, debates, jogos, concursos, dramatizações. Os resultados desta aprendizagem podem ser apresentados por escrito ou através de cartazes, vídeos e recursos digitais. Na Matemática usando jogos e exercícios centrados em questões financeiras. Também é desejável que as bibliotecas escolares disponham de livros e outros materiais que permitam desenvolver a literacia financeira nos alunos.


Qual o balanço da parceria com a APS, neste âmbito?

A nossa parceria com a APS tem sido extremamente positiva. Pudemos aprofundar estes assuntos, refletir sobre o valor social do seguro, recolher informação sobre a atividade seguradora. Pudemos ainda selecionar temas pertinentes e atraentes para as diferentes idades e procurar estratégias adequadas de os transmitir, na intenção de que venham a adquirir verdadeiro significado junto das novas gerações.

O facto de termos escrito os livros O risco espreita, mais vale jogar pelo seguro, Catástrofes e grandes desastres, Um perito em busca da verdade e Encontro acidental (este último a publicar no início do próximo ano letivo) representou um desafio muito interessante e levou-nos a contactar diretamente com várias escolas, em todo o país, onde pudemos apreciar a adesão de alunos e professores e comprovar o interesse do projeto.



JOÃO PEDRO BORGES
PRESIDENTE DA CA SEGUROS

É preciso investir muito mais na divulgação da nossa atividade junto da sociedade civil, e que os temas relacionados com os seguros ganhem muito maior exposição nos media. Naturalmente, interessa que isso possa acontecer, com notícias favoráveis à reputação, e não com notícias desfavoráveis.


Como avalia atualmente o setor segurador, no contexto da captação/atração de talento?

O setor segurador em Portugal, historicamente, não tem tido uma grande visibilidade entre os jovens licenciados, e por esse motivo, tem tido alguma dificuldade em atrair talento. Nos media, continua a ser dada claramente mais relevância a temas relacionados com a atividade bancária, e com os mercados de capitais, enquanto as temáticas relacionadas com a atividade seguradora têm muito menor projeção.

Esta situação acaba por ser injusta, considerando a relevância da atividade seguradora na Sociedade, e a sofisticação técnica envolvida na aceitação e gestão de riscos específicos de seguros. Na minha opinião, a gestão na atividade seguradora não fica nada a dever, em nível de exigência, à atividade bancária ou qualquer outra atividade no âmbito do sistema financeiro.

O Regime Solvência II veio trazer à atividade seguradora novos modelos de gestão, ainda mais exigentes e rigorosos, o que tem contribuído para uma melhor imagem do sector junto dos jovens universitários que são expostos a estes temas no âmbito dos seus planos de estudos, nomeadamente nas áreas de gestão, matemáticas aplicadas e ciências atuariais. Como corolário, os jovens licenciados, mestres e pós-graduados têm vindo a revelar um maior interesse pelas oportunidades profissionais proporcionadas pelo sector segurador. Mas há ainda muito que fazer para promover uma maior visibilidade da nossa atividade.


Como vê o papel que a APS pode ter, na dinamização do recrutamento de recursos humanos de elevada qualidade e potencial para o setor?

A APS pode e deve ter um papel importante na promoção da imagem e da notoriedade do sector segurador.

Nesse contexto, são muito meritórias as diversas iniciativas que têm vindo a ser implementadas pela APS no âmbito da literacia financeira, e de sensibilização dos jovens para os seguros, e para a prevenção e segurança, junto das escolas. Penso que também seria importante a APS, apoiada nas suas seguradoras associadas, promover uma maior interligação com as Universidades, criando parcerias, promovendo conteúdos e disponibilizando formadores ao nível das licenciaturas, pós-graduações e mestrados.

É preciso investir muito mais na divulgação da nossa atividade junto da sociedade civil, e que os temas relacionados com os seguros ganhem muito maior exposição nos media. Naturalmente, interessa que isso possa acontecer, com notícias favoráveis à reputação, e não com notícias desfavoráveis.

Mas, em última análise, compete às seguradoras serem capazes de transmitir uma imagem de modernidade, respondendo aos anseios das novas gerações de profissionais que estão a entrar no mercado de trabalho (os chamados millenials), adotando novas tecnologias e modelos de organização de trabalho mais flexíveis e participativos. E devem desenvolver os seus modelos de gestão dos recursos humanos, proporcionando oportunidades de desenvolvimento profissional, promovendo um elevado alinhamento e reconhecimento por parte dos seus Colaboradores, para que possam ser consideradas pelos jovens profissionais como estando entre as melhores empresas para trabalhar, de todos os sectores de atividade económica.



PAULO CRUZ
PRESIDENTE COMISSÃO TÉCNICA - RECURSOS HUMANOS

Uma cada vez maior aproximação das empresas do setor às escolas e às universidades, com a inclusão de conteúdos ligados à atividade seguradora nos planos curriculares (...) são algumas das medidas que poderão contribuir para uma redução da iliteracia financeira ligada aos seguros no nosso país.


Um estudo realizado no início deste ano coloca Portugal em 9.º lugar (entre dez países europeus) no seu nível de conhecimentos sobre literacia financeira e sobre o risco. O que considera que a atividade seguradora pode fazer, para ultrapassar este estado?

Pese embora, neste estudo, o posicionamento de Portugal não seja o desejado, ainda assim há que salientar a evolução positiva do nosso país nos indicadores de literacia financeira nestes últimos anos e realçar os bons resultados evidenciados no recente inquérito desenvolvido pela International Network on Financial Education (INFE) da OCDE, onde Portugal, no conjunto dos 30 países participantes, se posiciona em 10º, com uma avaliação global superior ao Reino Unido ou à Holanda e diversas das suas práticas apontadas com referência. Para esta melhoria muito tem contribuído o trabalho desenvolvido pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros -- CNSF (BdP, CMVM e ASF) e ainda, no que diz respeito à atividade seguradora, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), empresas de seguros e profissionais da mediação de seguros.

Se o progresso é inegável, muito há ainda para fazer, sendo absolutamente fundamental que o esforço de todos se mantenha.

De acordo com o último inquérito de literácia financeira à população portuguesa do CNSF, apesar de mais de 73% dos entrevistados possuírem pelo menos um seguro ativo, não deixa de ser sintomático o facto de quase 55% destes desconhecerem o significado de franquia e mais de 60% a relação existente entre esta e o impacto no preço do seguro.

Uma cada vez maior aproximação das empresas do setor às escolas e às universidades com a inclusão de conteúdos ligados à atividade seguradora nos planos curriculares, a continuação do esforço levado a cabo pelas empresas na formação dos seus colaboradores através das respetivas Academias/departamentos de formação, sem esquecer uma cada vez maior profissionalização da rede de mediação, são algumas das medidas que poderão contribuir para uma redução da iliteracia financeira ligada aos seguros no nosso país.


Pode referir algumas ações mais concretas?

De acordo com o referido Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa, um dos segmentos da população com maior grau de iliteracia são os estudantes com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos. Nesse sentido, em linha com a recomendação da OCDE que salienta, nesta matéria, a necessidade de existir uma especial atenção para os jovens, mas também em estreita articulação com o Plano Nacional de Formação Financeira Todos Contam, onde a APS surge como parceira em alguma das iniciativas, o foco na educação do ensino básico e secundário será uma das prioridades.

Sem descurar qualquer contributo que possa ser dado na formação de outros segmentos da população, melhorar o conhecimento dos conceitos financeiros daqueles que serão os consumidores de ¿amanhã¿, permitindo-lhes a sua plena inclusão financeira, mas também a tomada de decisões e comportamentos adequados é fundamental.

No âmbito da Comissão Técnica de Recursos Humanos, estamos particularmente empenhados em desenvolver algumas iniciativas nesta área, das quais se destacam:

- Contribuir e apoiar a divulgação dos livros didáticos sobre seguros das autoras Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães que têm sido um sucesso junto do público mais novo e escolas;
- Estabelecer parcerias com entidades de referência no domínio do empreendedorismo jovem e literacia financeira, das quais se destaca a Junior Achievement Portugal, de forma a, em conjunto, definirmos planos de atuação junto das escolas;
- Criar conteúdos de simples perceção sobre conceitos e tipologias de seguros, para divulgação no site da APS, ...

Para o sucesso destas iniciativas, contamos com todos!


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