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newsletter digital|10 maio 2017
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SEGURADORES
 
    
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ARTIGO DE OPINIÃO: O QUE É O RESSEGURO E COMO FUNCIONA? 


Maria Manuel Carvalho

Técnica de Gestão de Riscos. Experiência de 22 anos ligada às atividades seguradora e resseguradora. Nos últimos 15 anos destaca-se o desempenho de funções como Responsável pela Direção de Resseguro num Segurador e como Client Manager para o mercado português num Ressegurador.


Apesar da sua relevância enquanto elemento estratégico de gestão, o Resseguro continua a ser uma área de conhecimento pouco difundida, mesmo dentro do próprio setor Segurador.

Como o próprio nome indica, os Seguradores são entidades que se dedicam à atividade de segurar pessoas, bens e o que se lhes relaciona, ou seja, que se dedicam a assumir riscos. Assim, a carteira de negócios de um Segurador é constituída por um conjunto alargado de apólices de seguro (ou riscos), distribuídas por várias linhas de negócio. Estas apólices encerram um conjunto de responsabilidades a que o Segurador poderá vir a responder num momento futuro.

Para fazer face a estas responsabilidades os Seguradores devem garantir a manutenção de reservas de valor geridas de acordo com políticas de investimento capazes de salvaguardar, em todo o momento, a sua capacidade de pagamento futura.

Como adjuvante neste processo surge o Resseguro. Através de contratos estabelecidos com os Resseguradores, as empresas de seguros cedem-lhes (transferem) no todo ou em parte as responsabilidades que assumiram perante os seus clientes, salvaguardando a sua capacidade de fazer face a compromissos futuros.

Desta forma os Seguradores conseguem realizar mais negócios e consequentemente assumir mais riscos, sem ter de afetar mais do seu capital às responsabilidades assumidas. Na prática, as empresas de seguros podem garantir-se eficazmente, recorrendo ao capital de terceiros (Resseguradores).

Ao interferir na capacidade de um segurador aceitar riscos, o Resseguro constitui um instrumento da maior relevância em termos de gestão de riscos e solvência.

O Resseguro propicia às empresas de seguros a proteção das suas carteiras, quer em relação a riscos de grande dimensão (cuja ocorrência poderia por si só pôr em causa os resultados da empresa e até a sua própria sobrevivência), quer em relação a eventos que afetem um grande número de riscos, como acontece no caso das catástrofes naturais.

Finalmente, o resseguro atenua as variações dos resultados de subscrição (aceitação de riscos), garantindo um efeito estabilizador que, entre outros, contribui para a que as empresas de seguros consigam atingir os seus orçamentos e planos de negócio.

O resseguro assume assim um papel estratégico na atividade seguradora, enquanto instrumento privilegiado de transferência e gestão de riscos, assim como estabilizador dos resultados técnicos. No contexto de um novo regime de solvência, a função do resseguro adquire uma nova dimensão, assumindo-se como um dos pilares da gestão seguradora.


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