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newsletter digital|09 agosto 2016
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SEGURADORES
 
    
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CAPITAIS PRÓPRIOS DO SETOR SEGURADOR EVOLUEM FAVORAVELMENTE EM VESPERAS DA APLICAÇÃO DO NOVO REGIME PRUDENCIAL SOLVÊNCIA II

  ¿O resultado global de 344 milhões de euros justifica parte significativa deste crescimento dos capitais face a 2014

Em dezembro de 2015, o rácio de solvência agregado do setor era de 228%, o que significa que os capitais disponíveis para cobrir os requisitos de capital são mais de duas vezes os exigidos legalmente para efeitos do (anterior) regime Solvência I, registando assim um crescimento 22 p.p. face ao valor observado em final de 2014 (206%).

Num contexto em que os requisitos de capital se mantiveram praticamente inalterados, esta evolução em termos homólogos é integralmente justificada por uma subida de quase +462 milhões de euros nos elementos de capital disponíveis (+10% quando comparados com período homólogo), parte significativa justificada pela evolução muito favorável do resultado líquido do exercício (344 milhões, em 2015, contra os pouco mais de 12 milhões em 2014).

Apesar deste reforço, o aumento de requisitos de capital que é expectável no âmbito do novo regime prudencial (Solvência II) implicará uma gestão de capital muito atenta por parte das empresas de seguros.

Resultados globais ainda afetados por fatores conjunturais
O resultado de 344 milhões de euros apresenta-se claramente acima do registado no ano de 2014 (12 milhões de euros). Ainda assim, o resultado de 2015 fica muito aquém do observado, por exemplo, em 2012 e 2013 (539 milhões e 692 milhões, respetivamente), sendo que a remuneração do capital próprio implícita neste (cerca de 7,0%) poderá não ser suficientemente atrativa para potenciais investidores à luz dos riscos inerentes, quer ao próprio negócio, quer ao país.

Neste contexto, note-se que, embora com impactos inferiores aos observados em 2014, o resultado do exercício de 2015 está também negativamente influenciado por fatores conjunturais que conduziram ao registo excecionalmente elevado de imparidades e outras perdas num número muito limitado de operadores.

É de realçar, no entanto, que a grande maioria das companhias de seguros da amostra (37 em 46, ou seja, 80%) apresenta resultados positivos no exercício de 2015 e metade das companhias desta amostra (23) apresenta mesmo uma evolução positiva no valor do seu resultado líquido face ao período homólogo.

Resultado do segmento Vida fortemente suportado pela sua componente financeira
O resultado da conta técnica Vida registou um crescimento de mais de 100 milhões de euros, situando-se nos 509 milhões de euros. Esta evolução é quase integralmente justificada pelo comportamento favorável da componente financeira do resultado, isto apesar do registo, em 2015, de 221 milhões de euros em imparidades (valor, ainda assim, aquém dos quase 294 milhões de euros observados em 2014).

Já a componente técnica do resultado deste segmento manteve-se relativamente estável mas ainda muito negativa (-332 milhões de euros). Em 2015, esta componente do resultado foi influenciada pela contração da produção do segmento (-17,0%) e, em particular, pela quebra da produção de produtos financeiros mais tradicionais (-22,6%), produtos que têm normalmente associada uma taxa de rendimento garantida (muitas vezes complementada com uma componente de participação nos resultados).

A quebra da produção Vida é também justificada por fatores conjunturais como são a manutenção das taxas de juro de longo prazo em níveis muito baixos, diminuindo assim a atratividade dos novos produtos financeiros com taxas garantidas, e a redução da taxa de poupança das famílias.

Segmento Não Vida com evolução positiva mas com resultados ainda moderados (+124 milhões de euros)
A ligeira melhoria da taxa de sinistralidade global do segmento Não Vida (de 76,1%, em 2014, para 75,2%, em 2015) ajudou a que a conta técnica do segmento passasse de um resultado muito próximo de zero (11 milhões de euros em 2014) para um valor ligeiramente abaixo dos 107 milhões de euros. 

Para esta evolução positiva muito contribuiu o ramo "Incêndio e outros danos" que, em 2015, registou resultados acima dos 78 milhões de euros, um crescimento superior a 74 milhões de euros face a 2014. Um merecido destaque também para a modalidade "Doença" cujos resultados em 2015 evoluíram favoravelmente em quase 7 milhões de euros para perto dos 17 milhões de euros.

No entanto, preocupantes continuam a ser os resultados técnicos das modalidades de "Acidentes de Trabalho" (-82 milhões de euros) e "Automóvel - Danos Próprios" (-44 milhões de euros), permanecendo ambas profundamente desequilibrados, isto num contexto em que os resultados totais do ramo "Automóvel" (o mais importante ramo do segmento "Não Vida" ao nível de prémios emitidos) passaram também a ser negativos (-0,6 milhões de euros) registando uma quebra de mais de 30 milhões de euros face aos resultados observados em 2014 (+29,7 milhões de euros).

Resultado líquido acomoda mais de 252 milhões de euros de impostos correntes (IRC e derramas)
Além dos saldos dos segmentos Vida e Não Vida (e de contas não técnicas normalmente sem grande relevância em termos líquidos), o resultado do líquido do exercício de 2015 acomoda ainda 252 milhões de euros de impostos correntes (IRC e derramas), que são bem a expressão da dimensão do setor segurador enquanto contribuinte para as contas do Estado.

Carteira de investimentos em mutação
Em 2015 interrompeu-se uma tendência de crescimento do valor total da carteira que se verificava desde 2011, muito por força da quebra observada na produção do segmento Vida. Em dezembro, o valor total da carteira de investimentos rondava os 54,3 mil milhões de euros, ou seja, -2,2% face a dezembro de 2014

No que respeita estrutura da carteira, constata-se, sem surpresas, que a maior fatia dos investimentos continua a ser aplicada em obrigações (67,9%), ainda assim com uma quebra de -1,8 p.p. face a 2014 (69,7%). Com isto, o valor total dos investimentos em obrigações ascendia, em final de 2015, a 36,9 mil milhões de euros, dos quais 18,4 mil milhões investidos em dívida pública (portuguesa e outra).

Por fim, um destaque para o peso cada vez mais significativo do investimento, direto ou indireto (via unidades de participação em fundos de investimento), em ações na estrutura da carteira. Só entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015, este peso aumentou 3,3 p.p. para os 10,8%, facto que não pode ser dissociado da quebra das rentabilidades oferecidas no mercado obrigacionista.

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