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AS "MUTAÇÕES DA EDUCAÇÃO E A ECONOMIA DO SABER"

 

Os sistemas educativos estão hoje submetidos a novas restrições de quantidade, diversidade e velocidade de evolução dos saberes. Num plano puramente quantitativo, a procura de formação nunca foi tão maciça.

 

Na sociedade actual, marcada pela abundância de informação e pelo ritmo cada vez mais acelerado das inovações e transformações, os saberes, as qualificações e as competências são mais efémeros do que nunca, obrigando a uma constante necessidade de actualização das estruturas do conhecimento dos recursos humanos em qualquer organização.

 

Altos níveis de qualificação são vitais numa economia baseada intensivamente em tecnologia e conhecimento, onde a constante actualização é uma necessidade económica. A longevidade do conhecimento e das competências utilizadas em contexto organizacional é cada vez menor - diminuindo e desvalorizando-se a cada momento - fazendo aumentar a pressão no sentido de nos mantermos na linha da frente da actualização profissional.

 

O mundo dos negócios e das empresas é suportado, cada vez mais, por uma economia baseada no "conhecimento", ou, segundo a terminologia de Bengt-Aake Lundvall por "economia da aprendizagem" isto é, uma economia onde a mudança é muito rápida, devido à evolução tecnológica e às novas competências profissionais exigidas. As pessoas têm que mudar mais vezes de trabalho e de emprego do que antes. Por isso, são confrontadas com novos problemas e têm que saber inovar para ultrapassá-los. E a "alquimia da inovação" passa pela capacidade de aprendizagem e desenvolvimento contínuo de novas competências. O factor-chave não é possuir um conhecimento especializado específico, mas sim a capacidade para aprender. E aqueles que tiverem essa capacidade - empresas, regiões e pessoas - terão muito sucesso.

 

A criação desta "economia da aprendizagem" encontra-se também associada à noção, cada vez mais presente nas organizações, de que os modelos de aprendizagem e formação são armas competitivas e não factores de custo acessórios. O sucesso dos negócios depende, cada vez mais, de desempenhos excepcionais por parte dos colaboradores das organizações, requerendo como condição sine qua non uma formação de elevada qualidade. Esta tendência acompanha a crescente consciencialização colectiva de que aumentar as competências destes colaboradores corresponderá a um incremento efectivo de uma vantagem competitiva sustentada.

 

Consequentemente, a "economia da aprendizagem" obriga também a encarar a formação como um processo de aprendizagem contínuo, deixando de se adequar o antigo paradigma em que, o ciclo de aprendizagem terminava assim que o formando finalizava a formação escolar e obtinha um emprego. É neste contexto que o próprio conceito - formação - está a ser redefinido e obriga a encarar a formaçãocomo um processo contínuo: deixa de ser entendida exclusivamente como transmissão ordenada e sistémica de conhecimentos, habilidades e destrezas aos trabalhadores qualificados e semi-qualificados em determinados momentos específicos do tempo e passa a ser um processo contínuo, contemplando igualmente outras dimensões relacionadas com uma nova cultura do trabalho, da produção e com as novas lógicas de participação dos colaboradores-pessoas nas estratégias de desenvolvimento organizacional.

 

Parafraseando Pierre Lévy, constatamo-nos com uma "nova natureza do trabalho", na qual a parte da transacção de conhecimentos não pára de crescer. Trabalhar equivale cada vez mais a aprender, transmitir saberes e produzir conhecimentos. É neste contexto que os Recursos Humanos das Organizações estão a sofrer novas obrigações de quantidade, diversidade e velocidade de evolução dos saberes.


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